17 de dez. de 2011

Ela disse adeus

Era cedo, quando ela chegou. (Já esperava por ela)
Trouxe sorrisos no meio de chocolates. (Gostava de surpresas)
Trouxe um vento perfumado. (De olhos fechados, sentia com mais intensidade)
Trouxe cores, as mais bonitas. (De olhos abertos, via melhor o mundo)
Trouxe novos sons, novas letras. (Estava tudo certo, achava)
Mas ela, que chegou sem pedir licença, (Agradecia por isso sempre) 
disse adeus ao partir. (Não entendia nada)
Ela bateu a porta. (Entendia tudo)
Foi em busca de outro lar. (Perguntava como seria)
Talvez pra ficar. (Não queria)
A felicidade foi. (Chorava agora)
Ainda era cedo, quando ela partiu. (Olhava, de longe)

4 de dez. de 2011

Enigma

Ele, sim. Ela, não.
Ele, sim. Ela, sim.
Dedicação.

Ele, não. Ela, sim.
Ele, talvez. Ela, quem sabe.
Atenção.

Ele não sabe. Ela sabe.
Ele, mágoa. Ela, perdão.
Verdade.

Ele esconde. Ela mostra.
Ele sabe. Ela não sabe.
Dúvida.

Ele, não. Ela, não.
Ele, não? Ela, não?
Medo.

E agora?

28 de nov. de 2011

Mistura

Não quero. Ou quero. Ou quero em parte.
Quero a parte boa. Ora! Todo mundo quer a parte boa.
A parte boa é mistura.
Mistura de uma Noite Estrelada do Van Gogh com as cores do Matisse e as loucuras do Miró.

Mistura da riqueza do Pessoa com a sutileza do André Gonçalves em Coisas de Amor Largadas na Noite.

Mistura da voz do Djavan com a da Marisa Monte e as letras do Chico.

Mistura do sabor de chocolate com o cheiro da chuva e o frio de Viçosa.

Mistura dos pensamentos dos filmes franceses com as gargalhadas suaves do Monstro e o suspense do Hannibal.


Mistura de fotografia com desenho e pintura.



Misturas são sensações. Boas, sempre boas.



E que o resto vá embora.

Que não exista resto.

27 de out. de 2011

Mais uma vez: cansaço

E lá vem cansaço outra vez.

Aquela menina que sofria de insônia, agora se segura pra não dormir em qualquer lugar.

Aquela menina que ficava entediada em casa por não ter o que fazer, agora só entra em casa pra dormir.

E ela que lia livros em poucos dias, agora deixa o livro ali na estante por semanas.

Ela que estava sempre ligada nas estreias de filmes, mal se lembra do último que assistiu.

Ela que vez ou outra arriscava umas linhas, já nem sabe escrever.

O culpado disso?

O cansaço.

Sempre ele.

Ah... Nunca um cansaço foi tão feliz.


Obrigada a todos os personagens que contribuem para o meu cansaço, ops... felicidade.

25 de set. de 2011

Sobre o amor

Amor é atenção, quando se tem uma história boba, quando se tem um desabafo.
Amor é cuidado, quando queda, quando alegria.
Amor é mãos dadas, quando juntos, quando separados.
Amor é respeito. Sempre.
Amor é carinho, quando carente, quando completo.
Amor é suavidade, quando explosão, quando inquietação.
Amor é compreensão, quando confuso, quando certo.
Amor é admiração. Sempre.
Amor é saudade, quando longe, quando perto.
Amor é abraço, quando tristeza, quando felicidade.
Amor é liberdade, quando se quer partir, quando se quer ficar.
Amor é confiança. Sempre.


E ainda que eu não acredite, o amor existe.

6 de set. de 2011

Cintura alta

Nunca gostei de roupas de cintura alta. 
Lembro, como se fosse hoje, dos risos quando, junto com as amigas, olhávamos as fotos antigas das nossas mães, tias, avós... Achávamos ridículo. De repente, vem a tal da moda, e faz todo mundo achar que aquilo é a coisa mais linda do mundo. Tudo bem, algumas pessoas ficam até bonitinhas vestindo esse tipo de roupa, mas eu continuo achando ridículo.

Não gosto de moda. Na verdade, não gosto quando as pessoas fazem da moda regra. Aí vira farda... Agora, eu sou obrigada a ser da fazenda e ter um monte de camisas xadrez? Ou usar óculos enormes da vovó por causa do Restart? Ou colocar meias pretas com um short curtinho? Cabelos sempre lisos, escovados e cheios de mechas loiras? Muito pó no rosto e bochechas rosadas?
Desculpa...mas eu não gosto de nada disso. 
Prefiro camisas lisas ou com poucos detalhes, os meus óculos discretos, ainda que coloridos e short sem meias. Gosto do meu cabelo liso, mas com as pontas onduladas, vermelho cereja, super intenso... ou simplesmente negros. Maquiagem? Em dia de festa, com olhos bem marcados, pouco pó e nada de bochechas rosadas.

Eu nem sou contra a moda. Uso acessórios, vejo as tendências... mas do meu jeito. Fugindo da regra, fugindo da farda. Às vezes, eu gosto da moda depois que a moda acaba.

E tem moda pra tudo. Eu tenho que gostar da voz sertaneja da Paula Fernandes, do sem graça do Luan Santana, das bandas coloridas ou da Maria Gadú? 
Não, não... Eu prefiro continuar com Djavan, Marisa, Arnaldo, Zeca... os velhos e bons.

E por aí vai... tem a cor da moda, a música da moda, o acessório, o carro, até a comida...até adesivos!

Mas é questão de gosto, né?
Nada contra quem faz, quem gosta, quem pratica.

Eu só não gosto de cintura alta.

31 de ago. de 2011

Das coisas que eu gosto

Abraços apertados e mãos dadas.
Chocolate. Preto! Com morango, com castanha, com coco, com pimenta... Cho-co-la-te.
Dormir toda suja de tinta, cansada, depois de passar a noite pintando uma camiseta ou tela.
Dançar, dançar. Até os pés não aguentarem mais; ou além disso.
Fotografia. Ver, analisar e fotografar os cantinhos mais escondidos, os olhares mais ingênuos.
Viagens. Pra serra, pro mar, pro interior. Com os amigos, com os desconhecidos ou sozinha.
Longas conversas pelo telefone. Pra falar de todos os assuntos possíveis e imagináveis. Pra aconselhar, desabafar, sorrir, se divertir.
Arte. Toda forma de. Sem mais!
Ir dormir de madrugada porque o livro sempre pede a página seguinte.
Cores. De preto e branco.
Ouvir música. Alta ou ao som leve de um violão.
Carinho. Através de palavras, gestos ou sentimentos. Dar e receber.
Ser discreta e chamar atenção.
Palavras doces. Mas sem abusar.
Filmes. Os de suspense, comédias, romances bobos. Os que me fazem dormir.
Pensar em formas de surpreender. De boas surpresas.
Caminhar sem direção. Vou ali, já volto.
De...
...

Falei demais. O resto é mistério.
Eu gosto de mistério.

3 de ago. de 2011

Dos cuidados que devemos ter

Cuidado. Precisamos ter cuidado. Precisamos de cuidado.
Tenha cuidado com você. Cuide do corpo e, principalmente, da mente. Liberte-se, livre-se dos males. Sorria.
Tenha cuidado com os outros. Cuide de quem você ama. Cuide de quem ama você. Tenha muito cuidado com quem te ama. Cuidado com quem você se envolve.
Cuidado com as palavras. Com as que fala, as que ouve, as que lê, as que escreve. É fácil seduzir com palavras, é mais fácil ainda se deixar seduzir por elas. Entenda que, lá no fundo, o sentimento pode ser outro. Entenda que palavras são repetidas, do mesmo jeito, para pessoas diferentes.
Cuidado com as mentiras. Mentir é feio, muito feio. E piora quando se usa uma mentira pra cobrir outra. Cuidado! Quem ouve você, pode estar mentindo que acredita em você. Pode estar mentindo pra você.
Cuidado com a autoconfiança. Ninguém é tão perfeito. Olhe bem pra você, se enxergue. Você tem defeitos. Muitos.
Cuidado com o que faz. Cuidado pra não se transformar em quem, um dia, você tanto criticou. Cuidado com suas escolhas. Cuidado com as mudanças.
Cuidado com o tempo. Administre bem o seu tempo. As pessoas passam, o corpo cansa, o cuidado fica. 
Cuidado com as promessas. Não acredite em promessas. Se prometer, cumpra. Preste atenção nas ações. Mais uma vez, cuidado com as palavras.
Cuidados com os excessos. Não beba demais. Não fume demais (não fume!). Não trabalhe demais. Não estude demais. Equilibre-se.
Tenha cuidado.
 Além disso, cuide. Cuide muito.

Não, não é autoajuda. Não gosto de autoajuda.
É só uma questão de cuidado.

28 de mai. de 2011

Nas letras


Eu sou aquela mulher escondida nas letras de tantas canções.
Um certo alguém disse uma vez que uma canção podia controlar o seu humor. Por aqui, não é diferente. Na verdade, as letras não só mudam o meu humor, mas contam muito de mim e, por vezes, me ajudam a tomar decisões.
Podem até achar estranho que eu me guie pelas letras das músicas, mas eu sempre fui muito só e tive (e tenho) nas letras dos livros e das cantigas uma forma de refúgio, conforto, atenção ou desabafo.
Já fantasiei muito querendo ser a mulher ou o homem cantados em tal música, ouvindo alguém cantar pra mim ou mesmo eu cantando para. Ora, se tudo pode acontecer, por que não fantasiar?
Existem letras que não dizem absolutamente nada de mim ou do que me cerca. Mas, ainda assim, me fazem cantar e de alguma forma me permitem colorir o mundo. Em outras músicas, uma frase perdida diz muito do que eu sou. O resto da letra pode não fazer sentido algum na minha vida, mas tem aquele pedaço, ou só o título mesmo, que fala de certas coisas que eu não sei dizer.
É, enquanto ninguém me sente, as músicas vão me ajudando a sentir.
Eu já me escondi demais, na verdade eu ainda tento me esconder, até tento aparentar frieza, mas não dá. Eu acabo soltando por meio de canções e poemas o que eu estou sentindo. Ah, mas claro que cada pessoa interpreta cada letra de uma forma e, logo, não entendem o que eu quero dizer de verdade. Mas eu prefiro acreditar que alguém vai captar a mensagem, entender o que eu falo e aparecer com um sorriso... deixa eu fingir e rir.
Não sei, mas talvez eu desperte pena nas pessoas. O povo fala, o povo fala mesmo: é tão sozinha ela, tão calada, tão fria, tão só... Não queridos, relaxem, eu sou mais que isso. Eu bambo e só, mas sambo, sim e não por falta de amor, mas por amor demais.
E querem saber se eu quero outra vida? Quero não. Outra vida, não. Quero mudanças pequenas somente, uma ou outra canção nova, pra tentar ser feliz dos pés até a ponta do nariz.

Eu ficaria aqui por horas, são tantas as músicas que me preenchem, e em cada palavra que eu escrevo, em tudo que eu penso, aparece uma outra canção que quer me revelar.
Mas é melhor parar por aqui. Já falei muito. Deixo o resto pro vento.
É...deixa o vento lhe mostrar, ele sabe muito sobre mim.


P.S.: Em itálico, trechos de músicas que, claro, falam do meu eu, do meu mundo. São cantadas, compostas ou declamadas por: Ana Carolina, Arnaldo Antunes, Djavan, Los Hermanos, Lulu Santos, Paulinho Moska, Validuaté, Zeca Baleiro, Zélia Duncan. Mas teria muito mais pra acrescentar.


14 de mai. de 2011

Cansaço

"O que em mim é sobretudo cansaço –
Não disto nem daquilo,
Nem se quer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo.
Cansaço.

...
Estou cansada. Estou realmente cansada de tudo.
Me cansei das falsidades, da falta de carinho, da falta de grana. Me cansei dos ônibus e de andar a pé. Cansei das mentiras, das ilusões, dos sonhos que não vão pra frente.
Estou cansada das lágrimas que rolam no meu rosto, cansada de me calar quando eu tenho muito pra falar, de esconder que vi, de fingir que não ouvi.
Já não aguento os falsos amigos, eu não suporto os falsos. Estou demasiadamente cansada de esconder o que eu penso, o que eu quero, o que eu sinto.
...

A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém.
Essas coisas todas –
Essas e o que falta nelas eternamente –:
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
...

Cansei das contas que não param de chegar, das ligações de cobrança. Cansada de não receber ligação, cansada da televisão.
Cansada de ligar e não atenderem. Cansada da dor de garganta, da dor eterna no meu estômago.
Cansada da saudade de quem está longe e da saudade de quem está perto. Cansada do riso amarelo.
Cansada de fazer planos pro futuro, cansada de fazer planos pro presente. Cansada do passado.
Cansada do tempo, de esperar o tempo.
...

Há sem dúvidas quem ame o infinito,
Há sem dúvidas quem deseje o impossível,
Há sem dúvidas quem não queira nada –
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
...

Arre! Estou cansada até do cansaço.
Cansei das músicas, cansei do amor, cansei de sentir qualquer coisa.
Cansada das disritmias, cansada dos pensamentos.
Cansada dos sábados, cansada dos domingos. Cansada da semana.
Cansei de imaginar.
Cansada de ter vontade e de não ter também.

Desculpe as contradições ou repetições. É que estou realmente cansada.

...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço..."
(Álvaro de Campos)

[É, Campos, acho que você me entende. Pelo menos, esses versos (e todos os outros poemas seus que já li) conseguem transmitir o que eu penso, sinto, escondo, engulo.]

Eu fico por aqui.
Eu e meu cansaço.

Ufa!

7 de abr. de 2011

O Amor

Eu nunca acreditei no amor. Sempre fechei o corpo e alma para ele.
E nunca acreditei em casamentos eternos e felizes. Pra mim, isso era coisa de novela.
A vida real sempre me mostrou isso.

Mas um belo dia, como já falei aqui outra vez, a felicidade apareceu. É... e aquela pessoa que não queria saber de amar ou de amor se viu encantada. Era uma mistura de paixão, calor, respeito, admiração. Um infinito de coisas lindas.

Ah... eu acreditei no amor, no felizes para sempre, que aquilo da tv podia sim acontecer na vida real. Mordi minha língua e fiz inúmeros planos (alguns saíram do papel e estão bem concretos), sonhos...enfim.

Mas o encanto sumiu, a paixão acabou, o ar esfriou... E agora? Eu levo lindas lembranças de um parêntese de três anos da minha vida. O parêntese se fechou. E agora tudo volta a ser como antes.

Eu não acredito no amor.

Mas eu amo.

17 de mar. de 2011

Entre mudanças e felicidades

Quase três anos sem desenhar nada por aqui. Os tempos são outros, as pessoas são outras. Eu sou outra.

Falei de mudança tempos atrás. Falei de como esta pessoa aqui ficou diferente. Mal sabia eu quantas mudanças ainda aconteceriam.
Mudanças assustam no começo. E assustam no meio também.
Às vezes você quer parar de mudar e voltar no tempo, melhor ser como era antes. Ou quer mudar o que já está mudando. E fazer novas escolhas, fazer novos planos.
Mudança poderia ser outro nome pra dúvida. E então, é melhor acreditar na mudança ou parar ou procurar outra vida?
Eu acredito, encaro. É difícil superar o medo, mas novos rumos trazem felicidade.
Tempos atrás eu acreditei que podia ser diferente. Encarei e deu certo. Uma tal felicidade apareceu na minha porta.
E agora, é hora de mudar novamente, de acrescentar caminhos e sonhos. Eu vou encarar e seguir em frente. E você, felicidade, me acompanha?