A vontade de correr, de gritar, até mesmo de sorrir, está toda aqui dentro, mas o medo sufoca tudo.
Eu tenho medo.
Medo de falar, de sorrir, de querer. O medo me come de dentro pra fora. O coração dói, aperta, é uma sensação tão estranha, parece que ele vai se desmanchar aqui dentro. Aquele velho enigma parece estar de volta.
As mão tremem, o estômago se contorce a procura das borboletas que um dia lá estiveram. Mas só há medo.
E o medo vem acompanhando de dor. Não, não como uma dor de cabeça. Parece mais com aquele corte no dedo feito com papel, sabe? Parece besteira, mas dói, arde, incomoda... E, neste caso, parece que não vai cicatrizar nunca.
E assim vem um monte de pensamentos tolos que só aumentam o medo de tudo. De tudo.
Medo de não voltar a sorrir e assim não sorrio. Medo de não acordar pra vida e assim não acordo. Medo de não conseguir amar e assim não amo.
O medo quer fazer morada.
Socorro. Sufoco. Socorro.
"Pensamento que vem de fora
e pensa que vem de dentro,
pensamento que expectora
o que no meu peito penso.
Pensamento a mil por hora,
tormento a todo momento.
Por que é que eu penso agora
sem o meu consentimento?
Se tudo que comemora
tem o seu impedimento,
se tudo aquilo que chora
cresce com o seu fermento;
pensamento, dê o fora,
saia do meu pensamento.
Pensamento, vá embora,
desapareça no vento.
E não jogarei sementes em cima do seu cimento."