Então tá... a gente nasce e é cercado de carinho por todos os lados [pelo menos é pra ser assim]. Mais que carinho, a gente recebe proteção. Não deixam que a gente enfie o dedo na tomada, não deixam que a gente fique perto do fogão, de coisas feitas de vidro e nem de materiais cortantes.
A gente aprende desde cedo o que é certo e o que é errado. Aprende que não se deve bater no irmão [muito menos no amiguinho], aprende que ficar com o lápis do outro não é legal. Aprende que tem que se alimentar bem, que tem que ir pra escola e tem que se divertir.
Aí a gente vai crescendo e vai vendo que nem tudo é do jeito que aprendeu. Surgem, mesmo que sem querer, as primeiras brigas [tudo bem, elas são importantes]. Vê que tem sempre um ou outro que quer ficar com o teu lápis. Vê que nem todo mundo tem o que comer. Vê que nem todo mundo tem onde ou como estudar. Vê que nem todas as crianças se divertem.
A cabeça da gente entra, então, em uma pequena confusão.
Aí a gente cresce um pouco mais, ainda cercado de muito carinho e já sem tanta proteção. A gente começa a enxergar, com os próprios olhos, onde que o “perigo” mora.
A gente já sabe quem é que merece nossa amizade, já sabe aonde ir, onde ficar.
A gente passa a ver as coisas com maior nitidez. Vê que, mesmo com o tempo, ainda tem criança que não brinca; que não estuda; que não se diverte. Pior ainda, vê que algumas [quiçá muitas] morreram, viraram assaltantes ou coisa parecida. E por outro lado, vê que outras têm tudo em demasia. O mundo é muito injusto mesmo.
Na nossa cabeça a confusão aumenta.
Aí a gente cresce mais ainda. Somos capazes de emitir opiniões, de criticar, de responder, de questionar, de escolher quem vai mandar no país. Nossa visão já está bem mais clara.
De repente, então, aparece na TV que o fulano de tal roubou milhões do dinheiro público. Pior ainda, vê que com ele nada aconteceu. A gente vê na TV, também, que uma mãe roubou leite pra dá aos seus filhos. Pior ainda, vê que ela foi presa.
A gente vê que o governo não tem dinheiro pra investir na saúde, ao mesmo tempo em que vê que, o mesmo governo, conseguiu bilhões pra investir nuns jogos de num sei o quê. O mundo é muito injusto mesmo.
A gente vê que o governo não tem dinheiro pra investir na saúde, ao mesmo tempo em que vê que, o mesmo governo, conseguiu bilhões pra investir nuns jogos de num sei o quê. O mundo é muito injusto mesmo.
Na nossa cabeça, a confusão começa a fervilhar.
E a gente continua crescendo, continua evoluindo, obtém novos conhecimentos. As idéias vão ficando cada vez mais claras, as sujeiras desse mundo aparecem de forma mais clara ainda.
A gente retoma antigas lições de não jogar o lixo no chão, de não poluir as águas, de não destruir as plantas. O planeta corre perigo!
Mas tem sempre um ou outro que não aprende a lição. Aí já viu, é aquecimento daqui, uns furacões dali, a seca que mata, a água que mata. Mas, os poderosos são poderosos. Mundo injusto, sempre injusto.
As bolhas da confusão começam a irritar a cabeça.
A gente começa a querer mudar o mundo. A gente ainda tenta mudar, mas acaba sendo derrotado por tanta vileza.
Às vezes, a gente até pensa em deixar de ser “bonzinho”, afinal parece que as coisas boas só acontecem pra quem faz tudo errado.
Nessas alturas, a gente já não acredita em mais nada.
Não acredita no mundo que a gente sonhava quando criança. Não acredita que as coisas podem melhorar. Não acredita nas pessoas. Não quer acreditar mais nem em Deus, mas talvez seja aqui que...
Melhor deixar pra lá, isso é assunto pra outra hora.
Ah...A confusão já domina tudo agora!
[26/07/2007]
Um comentário:
Não importa quantas vezes eu leia, continuo achando que fui eu quem escreveu.
E de certa forma foi, foi a minha outra parte!
Postar um comentário