13 de jul. de 2008

Estranho

Vamos brincar de imaginar?
Imaginemos uma praia.
O que eu vi?
Um mar azul, bem calmo. A areia branca e bem fina, umas conchinhas ali na beirada.
Hum...tem umas crianças construindo castelos de areia, outras jogando bola. Tem gente tentando pegar uma cor e outras só jogando conversa fora. O sol começa a se despedir na linha do horizonte.
Eu estou sentada, ao longe, observando tudo. Tudo na mais perfeita paz.
E o que você viu?
Algo bem diferente? Algo um pouco parecido? Mas, igual? Acredito que não.
Estranho.
Vamos supor uma situação agora.
Estamos em três pessoas. Estamos andando meio sem rumo e, de repente, eu vejo no céu, uma nuvem em forma de flor. Mostro. Mas, você vê um pássaro. E a outra pessoa, um peixe.
Cada um, uma coisa.
Aí fica um tentando mostrar o seu ponto de vista pro outro. É bem difícil, mas, às vezes, os outros até conseguem ver minha forma, mas não da forma que eu vejo. [Hum??]
Estranho de novo.
E quando estamos conversando? Discutindo qualquer assunto que seja.
Eu penso da forma “x” e você da forma “y”. Você tenta me fazer entender que a forma “y” é mais coerente. Com muita luta, aceito isso. Mas você pensa assim por a+b e eu aceitei pelos motivos b+c. Cheguei ao seu resultado, mas de uma forma um pouco [bem pouco mesmo] diferente.
Ui! Coisa estranha. Mais estranha ainda.
Então, vamos lá.
Já sei! O artista consegue. Esse consegue mostrar com perfeição o seu ponto de vista.
...
Será??
Hum... O pintor “k” viu uma linda rosa esta manhã. Nossa, ele achou aquela flor tão linda, tão singela, com um perfume tão suave. Pronto, seria essa sua nova tela.
Foi ele para seu ateliê. Tintas e pincéis. Um lindo quadro surgiu.
Para ele, era a coisa mais perfeita, aquela tela passava uma calma, uma paz.
Ah...ele então leva a obra pra sua nova exposição.
Mas, ele se assustou com o que viu.
Uma mulher começou a chorar. Claro, aquela rosa lembrava seu marido. Ele adorava lhe presentear com rosas. E ele há pouco tempo, partiu.
Um homem fez uma expressão meio rancorosa. Claro, ele adorava dar rosas a sua antiga namorada. Mas, ela o trocou por outro.
Ah...Mas existia uma criança ali que estava bem serena diante da tela. Pronto essa conseguiu sentir o que o pintor sentiu. Hã?
Não...aquela rosa fazia a criança lembrar de sua mãe. A pessoa mais doce que para ela existia, por isso aquela calma.
Não. O pintor não conseguiu transferir o que ele sentiu, não da mesma forma.
É... estranho outra vez.
Mas ninguém consegue mesmo. Nunca é o mesmo, o exato ponto de vista. Nunca é o mesmo sentimento. Não é a mesma intensidade. Não é a mesma dúvida. Não é a mesma certeza.
Eis que surge a diferença das pessoas. Eis que surge a igualdade das pessoas. Eis que surge a graça do mundo.
“... cada um é cada um...
Assim nos fazemos todos iguais.”
...
Estranho. Apenas estranho.




[01/10/2007]

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